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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

A CAÇA (Cruising) de William Friedkin

Aproveitando o facto de ter acabado de estrear entre nós o documentário INTERIOR.LEATHER.BAR., achei por bem dar um salto no tempo das minhas memórias e recordar o filme que inspirou este documentário – A CAÇA.

“Nos bares de homossexuais de uma zona de New York é cometido um crime, o terceiro de uma série em que homossexuais são vítimas e o assassino é um homossexual que não tem esperma. Para descobrir esse assassino, um departamento da policia manda um jovem polícia, John Forbes, para esses meios, passando ele por homossexual pois só assim poderiam descobrir o assassino. John começa então a frequentar esses bares, que são frequentados por homossexuais que são sobretudo masoquistas. Mas os crimes continuam a acontecer e John não descobre nada, um homossexual que ele pensava ser o assassino não o é. Entretanto a ligação de John com a sua namorada está cada vez mais à beira da ruína. Por fim John descobre o assassino e debaixo de uma ponte, onde ele e o assassino começam a ter relações, o assassino tenta matá-lo, mas John é mais rápido e fere o assassino que é preso, sem dizer a razão dos seus crimes. Então um vizinho de John, também homossexual é morto pelo amante, que tem ciúmes de John. Já em casa da sua namorada, John ao ver-se ao espelho, demonstra ter sido seriamente afectado pelo seu trabalho.”

Este resumo do argumento foi escrito, tal e qual como está, em Fevereiro de 1981, altura em que vi este filme,  então em estreia no cinema Tivoli. Tinha então 16 anos e o jeito para a escrita já não era muito, mas gostava de escrever.

Na altura achei que ia ver um filme de terror com um psicopata, dirigido pelo realizador do EXORCISTA, e não fazia a mínima ideia que “cruising”, o título original do filme, queria dizer “engatar”. Quando o filme começou não me apercebi no que me estava a meter e após a primeira cena gay, um senhor que assistia ao filme disse muito chateado e em voz alta: “isto é um filme de paneleiros, era só o que me faltava”. O senhor saiu e eu fiquei muito excitado, pois até então nunca tinha visto um filme sobre o tema e, apesar de achar a cena sado-maso um bocado pesada, a verdade é que senti que estava a ver uma coisa que os meus pais não iriam aprovar. É verdade, o filme era interdito a menores de 18 anos e eu, apesar de ir sozinho, só tinha 16 anos, mas como parecia mais velho entrei sem problemas.

O filme era um bom thriller, com um Al Pacino em boa forma e acho que na altura apanhou muita gente desprevenida. Duvido que hoje algum estúdio de Hollywood apostasse num filme destes e conseguisse um actor com o estatuto de Pacino para o papel principal. Eram outros tempos, em que os criadores de filmes não tinham receio de quebrar barreiras e de fazer cinema para adultos. A juventude de hoje nunca saberá o gozo que dava conseguirmos ir ao cinema ver um filme que não era para a nossa idade; a adrenalina era muita e a verdade é que não tínhamos outra forma de ver os filmes. Classificação: 8 (de 1 a 10)






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